Jeans – História e usos desse lendário tecido

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A História do Jeans mostra que ele traçou um longo caminho antes de se tornar o tecido fashion e quase universal dos dias atuais.

Décadas de 20 e 30, as calças jeans começam a ganhar o cinema, quando cowboys estrelados por Gary Cooper e John Wayne invadem as telonas usando as peças desse tecido emblemático.

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Nas décadas de 40 e 50 o jeans ganha status de queridinho e populariza de vez nos Estados Unidos. Astros da música e do cinema norte americano fazem aparições públicas com calças jeans. 

Ter astros do calibre de Marlon Brando, James Dean e Elvis Presley vestindo jeans era uma propaganda gratuita e fundamental para que o jeans se popularizasse e virasse símbolo de modernidade.

Mas a história do jeans começou bem antes disso e aqui vou contar um pouco desse tecido tão comum e indispensável nos dias atuais.

Breve história do jeans

Origem do Jeans

Ao contrário do que pensa a maior parte das pessoas, de que o jeans foi inventado nos EUA, o tecido surgiu em Gênova na Itália e em Nimes na França.

A hipótese mais aceita para o seu nome é que se derive de Genes, a palavra francesa para Gênova e denim (de Nimes).

Provavelmente o nome jeans, como conhecemos hoje surgiu de uma corruptela (quando há uma deformação da palavra, originada por má audição ou compreensão e posterior reprodução falada e escrita) das palavras citadas no parágrafo anterior.

O tecido grosso de algodão azul, que ainda não tinha o nome de jeans era muito utilizado pela classe trabalhadora na Itália no Século XVII e assim, sem maior valor agregado, o tecido continuou sendo empregado nas roupas que precisavam ter maior resistência ao trabalho pesado até 1873.

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A calça jeans com rebites

Em 1853, aos 24 anos, Levi Strauss, um comerciante de produtos secos nascido na Alemanha, vai a São Francisco nos Estados Unidos, para abrir uma filial na Costa Oeste do negócio de produtos secos por atacado que seus irmãos possuíam em Nova York.

Nos 20 anos seguintes, ele transformou seus negócios em uma operação muito bem-sucedida, tornando-se conhecido não apenas como um empresário de sucesso, mas também como um filantropo local. Um dos clientes de Levi era um alfaiate chamado Jacob Davis.

Jacob Davis, um dia trabalhando em seu ateliê recebe o pedido da esposa de um trabalhador local, para que fizesse calças para o seu marido que fossem muito resistentes e não se “desmanchassem” com o uso.

Para atender tal pedido, o alfaiate teve a ideia de colocar rebites em pontos de tensão da calça, como nos bolsos, botões laterais.

Essas calças rebitadas tiveram um certo sucesso e Jacob pensou em patentear a ideia, mas não tinha recursos para isso, então ele decidiu procurar a pessoa de quem comprava o tecido, Levi Strauss.

A patente do Jeans

O alfaiate de São Francisco, escreveu então para Levi contando sobre o sucesso de sua “invenção” e sugeriu  que  resgistrassem a patente.

Levi, sendo um empresário visionário, percebeu o potencial desse novo produto e concordou com a proposta de Jacob.

Os dois homens receberam a patente no 139.121 do Escritório de Marcas e Patentes dos EUA em 20 de maio de 1873.

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A evolução do jeans

Calças rebitadas, parceria com Levi Strauss e patente registrada. O cenário estava montado para começar a história de sucesso do jeans.

O nome Levi e jeans te lembram alguma coisa?

Se você pensou na marca Levi’s você está mais do que certo, mas por enquanto vamos continuar no início da história das calças jeans feitas por Jacob em parceria com Levi.

Até porque nessa altura ela ainda nem tinha o nome de calça jeans e sim macacão de cintura.

Inicialmente, os jeans de Jacob e Levi eram simplesmente calças resistentes usadas por operários , mineiros, agricultores e pecuaristas em todo o oeste norte-americano.

Os rebites de cobre usados ​​para reforçar os bolsos foram apreciados por esses trabalhadores, que se queixavam de rasgos frequentes nos bolsos.

Strauss e Davis fizeram jeans inicialmente em dois tipos de tecido, pato marrom e denim azul, mas a criação do estilo denim 501 em 1890 ajudou o último a se popularizar.

Aliás este é o modelo mais tradicional da marca Levi’s e existe até os dias atuais.

A popularização do jeans

Você deve estar se perguntando como uma roupa feita para trabalhadores braçais ganhou popularidade e status fashion hoje em dia.

O fim da patente e a entrada de marcas icônicas

Em 1890 a patente de Jacob e Levi chegou ao fim, e como a roupa já tinha um certo sucesso entre a classe operária, três novas empresas entram no mercado para concorrer com a Levi’s. Em 1895 a OshKosh B’Gosh, em 1904 a Wrangler e em 1911 a Lee.

Durante a primeira Guerra Mundial(1914 a 1918), as calças jeans com rebites já eram o padrão entre os trabalhadores da guerra.

Nas décadas de 20 e 30, Hollywood ajudou a romantizar o jeans vestindo astros como Gary Cooper e John Wayne nos personagens de caubóis em westerns famosos como A Grande Jornada, Cavaleiro do Texas e Agora ou Nunca, entre outros.

Ainda assim, até a Segunda Guerra Mundial, o jeans ainda não era tão popular, pois continuava sendo associado ao que de fato ele era, uma opção de vestuário de trabalho resistente e confortável de usar.

Galãs de Hollywood e a rebeldia

No final da década de 40 e início da década de 50 passa a ser associado a rebeldia.

Estrelas em ascenção, como Marlon Brando e James Dean fazendo aparições usando jeans, as calças ganham forte apelo sexual associado a beleza dos galãs e catapulta a imagem do ídolo adolescente de jeans.

A partir daí, estrelas do rock ajudaram a confirmar o estilo como algo legal e fora dos rígidos padrões estéticos da época.

Os hippies e os manifestantes antiguerra usavam jeans nos anos 1960 e no início dos anos 1970 como forma de mostrar apoio à classe trabalhadora.

Enquanto feministas e organizadoras de liberdades femininas escolheram o jeans como uma maneira de demonstrar a igualdade de gênero. 

Na década de 1960, o jeans passou a simbolizar a contracultura. Posto isso, algumas escolas proibiram a peça, que só serviu para melhorar ainda mais seu status.

As grandes grifes adotam o jeans

No final dos anos 70 e início dos anos 80, a alta moda também começou a se interessar.

Os jeans Buffalo 70 da Fiorucci eram justos, escuros, caros e difíceis de comprar, exatamente o oposto da “boca sino” desbotado preferido pelo público mais jovem. 

Em 1976, Calvin Klein mostrou jeans azul na passarela – o primeiro estilista a fazê-lo. Gloria Vanderbilt lançou seu jeans de sucesso em 1979.

Esses jeans de grife não foram apenas um sucesso comercial, mas também foram comercializados com uma imagem mais ousada. 

Na década de 80, campanhas como a provocadora de Calvin Klein com Brooke Shields e os anúncios sensuais de Claudia Schiffer para a Guess ajudaram a dar ao jeans azul um novo tipo de potencial sedutor. 

O Jeans chega à alta costura

Na década de 1990, grifes da alta costura como Versace , Dolce & Gabbana e Dior também haviam entrado no mercado de jeans.

Ao longo das décadas, os tipos e estilos de jeans se estratificaram entre grupos e subgrupos: os estilos de hip-hop do início dos anos 90 foram caracterizados por jeans largos e largos. 

Enquanto intelectuais e descolados optaram por jeans escuro, como uma maneira de voltar às raízes do estilo.

Já, as estrelas pop escolheram os jeans com lavagens especiais, jateados, desbotados, rasgados.

Por fim, os aficionados pagaram preços altos pelos Levi’s vintage e índigo japonês tingido à mão. 

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Hoje, quase todas as marcas de luxo e designers de moda apresentam seus jeans pela passarela e estão disponíveis nas duas extremidades no quesito preço.

Em diversos estilos: largo, mais ajustado, cintura alta, baixa, claro, escuro ou colorido. 

“Costumo dizer que gostaria de ter inventado o jeans azul”, disse Yves Saint Laurent à New York Magazine.em novembro de 1983. “Eles têm expressão, modéstia, apelo sexual, simplicidade – tudo o que espero em minhas roupas”.

Peças de roupas de jeans.

Esse foi só um breve resumo da história do jeans, para chegarmos aos dias atuais em que podemos ver o jeans em quase todas as peças de roupas, calças, shorts, bermudas, saias, macacões, jaquetas, calçados, bonés e camisas. 

Nas mais diversas tonalidades, lavagens, padronagens de cortes, é inimaginável hoje em alguém no mundo que não tenha ao menos uma calça ou outra qualquer peça de roupa em jeans.

Você é fã do jeans?

Quais peças de roupas você tem nesse tecido? Comenta abaixo aí nos comentários.

Abraços.

Jason Brum

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