Como ficarão as viagens após a pandemia do Coronavírus?

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Hoje dia 04 de abril de 2020 estamos vivendo o décimo nono dia de quarentena e ainda não sabemos ao certo como o vírus irá se propagar pelo Brasil, se as medidas governamentais na área da saúde surtirão efeito, como também não temos certeza dos impactos econômicos em todas as áreas.

Também não sabemos por quanto tempo precisaremos continuar cumprindo esse isolamento, mas segundo algumas previsões do ministério da saúde e de alguns infectologistas, as regras devem ser duras em relação ao distanciamento social, no mínimo até o final de maio.

Fique em casa!
Imagem de enriquelopezgarre por Pixabay

Assumindo um cenário hipotético em que a vida voltará ao normal a partir de julho, como ficarão as viagens dos brasileiros?

  • Como se comportará o setor de turismo?
  • As companhias aéreas, as empresas de ônibus, os hotéis e pousadas, as agências de viagem vão quebrar?
  • Que destinos os brasileiros irão escolher para viajar no segundo semestre?
  • Os preços das passagens vão subir ou vão cair ? E a malha aérea, continuará a mesma?
  • Caso você queira viajar no segundo semestre, você deve aproveitar as promoções que estão tendo no momento?

Essas e outras questões eu vou responder nesse post. 

É sempre bom enfatizar que estamos falando da minha visão pessoal em um cenário hipotético.

COMO SE COMPORTARÁ O SETOR DE TURISMO?

O setor de turismo naturalmente está sendo um dos mais afetados pela pandemia do coronavírus. Por motivos óbvios, não é permitida a livre circulação de pessoas. As fronteiras internacionais, estaduais e até mesmo algumas municipais foram fechadas. Ninguém vai a lugar algum.

As companhias aéreas, agências de viagens, algumas redes de hotéis e até mesmo pequenas pousadas têm se movimentado para garantir um fluxo financeiro razoável nesse momento e estão oferecendo promoções para quem adquirir voos, pacotes ou diárias com datas marcadas para o segundo semestre.

Algumas dessas promoções estão bem flexíveis quanto às datas e remarcações.

AS EMPRESAS AÉREAS, RODOVIÁRIAS, AGÊNCIAS DE VIAGENS, HOTÉIS E POUSADAS VÃO QUEBRAR?

Aqui vai valer a lei do mais forte, do mais bem preparado e do que tem melhores conexões com o poder, ou seja, a corda tende a arrebentar do lado mais fraco. 

Pequenos hotéis, pousadas e agências de viagens que não tinham uma boa reserva financeira para passar por esse período ou que não consigam financiamento com juros muito reduzidos provavelmente serão os primeiros e também os mais afetados.

Isso não significa que empresas grandes não possam quebrar, mas como o impacto econômico em função da perda de milhares de empregos é maior nas grandes empresas e por elas terem mais influência nos bastidores do poder, dificilmente não consigam um “socorro” do governo com taxas bem camaradas.

Ou vocês não lembram como a JBS se tornou a maior empresa do Brasil no segmento de alimentos e uma das maiores do mundo? Com financiamentos bilionários do BNDES concedidos de forma no mínimo pouco ortodoxa, isso para não dizer fraudulenta.

Links abaixo sobre os financiamentos do BNDES à JBS.

Texto continua após os links.

Voltando ao assunto dos impactos econômicos nas grandes empresas do turismo. As aéreas como Azul, Gol e Latam devem ter sua malha aérea reduzida sensivelmente, tanto em frequências, como em destinos.

Se elas suportarão o forte impacto econômico só o tempo vai dizer. Pode ser que vendam participação acionária para companhias maiores de outros países. aliás, todas as três, Azul, Gol e Latam já têm empresas estrangeiras como sócias, como a United Airlines, Delta e Qatar Airways).

Pode haver também fusões entre as empresas.

Aeroporto de Dubai vazio
Imagem de mmemeiyo por Pixabay

Como dito acima, pode ser que recorram também a financiamentos através de bancos públicos, onde o banco como garantia pode exigir participação societária na empresa.

 Quanto às maiores agências online e físicas como Sub Viagens, CVC, Decolar (Argentina), redes de hotéis e empresas de ônibus, vamos aguardar para ver quem fica e quem sai de cena. Quem engole quem? Só o tempo vai mostrar.

QUE DESTINOS O BRASILEIRO VAI ESCOLHER PARA VIAJAR NO SEGUNDO SEMESTRE?

Os brasileiros ficarão mais cautelosos após a pandemia no que se refere à viagens.
Imagem de enriquelopezgarre por Pixabay

O desaquecimento econômico que já vínhamos observando se transformará em uma recessão (se não for depressão) econômica. Adicionando o receio em relação ao próprio vírus, o brasileiro ficará mais cauteloso em relação às suas próximas viagens. Acredito que o trauma pode demorar a passar.

Aquelas pessoas mais conservadoras dificilmente embarcarão para uma experiência em Hanói ou Hong Kong.

Mesmo destinos mais badalados como Europa e Estados Unidos serão menos buscados pelos brasileiros de uma forma geral por conta da disparada do dólar.

Sendo assim, o turismo nacional tende a ser beneficiado, principalmente os de curta distância.

De uma forma geral, os brasileiros, ainda traumatizados vão fazer pequenas viagens de carro para cidades dentro do próprio estado ou em estados vizinhos.

Aqui no Rio de Janeiro as principais atrações são Búzios, Arraial do Cabo, Teresópolis, Petrópolis, Cabo Frio, Ilha Grande, Angra dos Reis, Nova Friburgo, Visconde de Mauá e Penedo.

Arraial do Cabo
Imagem de Enderson NS por Pixabay

E destinos menos badalados como Conservatória, Vassouras, Lumiar, São Pedro da Serra, Miguel Pereira etc..

Penso que, quem puder e quiser viajar para mais longe, vai optar por destinos nacionais ou alguns poucos na América do Sul.

Aposto no litoral do Nordeste, Rio de Janeiro, Gramado, Santiago, Lençois Maranhenses, Buenos Aires, Uruguai (Colônia, Montevidéu e Punta), Lima, Bogotá e Cartagena.

Leia também: O Jeito de Ser do Carioca!

Lençóis Maranhenses (arquivo pessoal)

AS PASSAGENS AÉREAS VÃO SUBIR OU VÃO CAIR? E A MALHA AÉREA, VAI CONTINUAR A MESMA?

Como eu já disse acima, creio que a malha aérea será reduzida sensivelmente  em frequência (número de voos para um determinado destino) e também em destinos (a companhia aérea deixar de voar para determinada cidade).

No momento, os preços das passagens aéreas diminuiram bastante com datas a partir de maio ou junho e com uma grande flexibilização por parte das companhias aéreas no que diz respeito às remarcações.

Entretanto creio que com a diminuição da oferta de voos e talvez até uma diminuição na concorrência, os preços devam subir bastante após a pandemia do coronavírus se abrandar. 

Uma outra possibilidade é que pela baixa demanda (poucas pessoas querendo e podendo viajar) as companhias aéreas façam mais promoções de passagens, ou que o governo isente as companhias de alguns tributos e impostos ou subsidie algum item, por exemplo o combustível, para que elas possam praticar tarifas mais baixas e fazer movimentar novamente o turismo no Brasil.

O investimento que as aéreas fizeram nos últimos anos precisa ser pago. O volume de leasing é grande e os custos fixos são bem elevados. Com o dólar valorizado como está, as empresas se verão obrigadas a fazer promoções, do contrário suas operações ficarão inviáveis.

CASO EU QUEIRA VIAJAR NO SEGUNDO SEMESTRE DEVO APROVEITAR AS PROMOÇÕES QUE ESTÃO TENDO NO MOMENTO?

A resposta é: CAUTELA. Se você tem certeza que sua renda não será afetada após a crise, sim, esse é um bom momento para garantir com desconto alguma passagem ou algum pacote para viajar pós Covid-19.

Mas outra coisa que você deve ter cautela é com quem, com qual empresa você fará negócios agora, pagando agora para usufruir depois. Lembre-se que mesmo em épocas de normalidade da economia, muita gente que comprou pacotes em agências que faliram, ficaram sem suas viagens.

Um dos casos mais famosos foi em 2001 a gigante Soletur que decretou falência e milhares de turistas viram seus sonhos de férias virarem pesadelo.

Passagens estão com preços bem reduzidos no atual momento

Mais recentemente com a quebra da Avianca Brasil, muitos passageiros que queriam estar no avião, ficaram “a ver navios”. E foi uma confusão danada para remarcação em outras companhias ou devolução do dinheiro.

Outro caso emblemático aconteceu ano passado com a operadora de turismo britânica Thomas Cook, que após 178 anos de existência declarou falência e afetou quase 600 mil turistas, fazendo com que o Reino Unido montasse uma verdadeira operação de guerra para repatriar quase 150 mil britânicos que estavam no exterior e não tinham como voltar para casa.

Links dos três casos abaixo:

Texto continua após os links

Thomas Cook quebra e deixa mais de 600 mil turistas na mão e Reino Unido precisa fazer operação de guerra para repatriar quase 150 mil britânicos

Falência da Soletur em 2001 – Jornal Hoje

O drama dos brasileiros com a falência da Avianca Brasil – Exame

Portanto, pelo menos nesse momento, embora a tentação de aproveitar as ofertas seja grande, opte por adquirir pacotes ou passagens aéreas com as grandes companhias e nunca diretamente com hoteis e pousadas. Como visto nos casos acima, não é 100% de garantia, mas a probabilidade de você levar um calote e não viajar é menor.

É isso aí pessoal, essas são algumas previsões que deixo para quem pretende viajar no segundo semestre. 

Espero acertar nas previsões boas e errar nas ruins e que tudo isso passe logo.

Nos próximos dias farei posts detalhados dos destinos que eu aposto que farão sucesso no segundo semestre, alguns bem óbvios e conhecidos e outros nem tanto. Aliás, esse é um excelente momento para pensar fora da caixa e buscar destinos menos famosos e menos “instagramáveis”.

Caso tenham alguma dúvida, sugestão ou crítica, deixem um comentário abaixo.

Abraço virtual e com álcool gel.

Jason Brum

2 Comentários
  1. Eduardo Diz

    Boa análise.

    Vamos aguardar os desdobramentos dos acontecimentos.

    Parabéns!

    1. Jason Brum Diz

      Obrigado Eduardo.

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